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sábado, 29 de janeiro de 2011

Malandragem de Facebook


Autoestima baixa? Solidão?

Poste aquela foto sua de 2 ou 3 anos atrás. Aquela em que você  tá poderoso(a). Você receberá elogios e ficará com a sensação de que há uma fila esperando por você.

Quer mostrar que, apesar do tempo ter passado pra você, você um dia foi gatchinha(o)?

Digitalize aquela foto da juventude, mesmo que em preto e branco, e poste no Facebook. A valorizada de mercado será boa!

Recebeu um comentário em seu mural, mas não sabe o que responder?

Curta-o.

Recebeu um comentário, sabe o que responder mas tem preguiça?

Curta-o.

Quer chamar a atenção de alguém em especial? 

Não, não o cutuque. Ninguém vê muito isso. Vá nas informações sobre a vítima e poste um clip, uma citação ou algo que ele/ela goste e que chame a sua atenção (dele/dela). Depois de, é claro, curtir algo no mural dessa pessoa, para que seu post apareça pra ele/ela também.

Quer parecer culta?

Vá no Google, busque um autor, um clássico, um gênio. Poste trecho, citação e pronto! Você aparentará ter conhecimento "de causa".

Quer parecer informada?

Vá num jornal online - G1, Yahoo, UOL, publique um link com uma notícia fresca, poste e comente! Vai parecer antenadíssima.

Quer fazer um gênero simples, do tipo be yourself?

Poste algo simples, frívolo, cotidiano e despretensioso. Vai arrasar na sua intenção!
 
Quer ficar in no Facebook?

Comece a aderir a modas - ter avatar de personagens, avatar com foto da sua infância, avatar anti-corrupção, avatar de luto, avatar do tipo "I love RIO", publicações de duplo sentido e por aí vai. Você vai bombar!

Não quer que descubram a imensa solidão em que você vive na maioria do tempo em que está no Facebook?

Poste fotos suas com um grupão. Mesmo que tenha sido naquela situação aleatória e que você mal os conheça. Você vai aparentar ter vida real própria fora do facebook!

Quer mostrar-se em dia com os gadgets e com aquilo que a sociedade capitalista moderna exige de você?

Tire fotos do seu smartphone e poste no seu mural. Ter carregamentos móveis é um sinal de modernidade, de poder tecnológico! Aliás, poste qualquer coisa de seu smartphone - é um charme a mais..quem não quer?

Você ainda não tem um smartphone?

Compre um correndo. Se vira! Mude de plano, de operadora, entre em uma promoção ou divida em 12 vezes. Caso contrário, o que vão pensar de você no Facebook?

Está saindo com alguém? Quer assumir a relação com maior compromisso? Não sabe como abordar o assunto?

Vai no Relationship status e clique  "em relacionamento sério." Mas só funciona se ele/ela tiver um perfil no Facebook também! Você muda o status, manda a solicitação pra ele/ela e pronto! Alea Jacta Est. A sorte está lançada! Se ele aceitar, parabéns! Você achou um jeito fácil de driblar aquele momento "sincerão" - momento constrangedor que pode, muitas vezes, descambar pra uma DR e até pra um não-vamos-precipitar-as-coisas-vamos-dar-mais-um-tempo. Argh!!

Quer ser descoberta or pessoas legais e descoladas? 

Veja quem comenta no mural delas e as adicione. Se não tiver coragem para tanto, curta ou comente posts dele/dela. Nunca adicione diretamente o seu alvo. Fica parecendo fácil demais! Espere que ele/ela descubra você.

Quer movimentar o seu perfil?

Poste um tema bem polêmico! Religião, aborto, homofobia, racismo, política. Vai bombar!

Que tal um gênero?

Poste em outras línguas! Mesmo que você não seja fluente nelas. Who cares?



ADVERTÊNCIAS FACEBOOKEANAS:

Não fique muito tempo online no chat. Vai parecer que você não faz ais nada a não ser ficar no facebook. E sabemos que isso é mentira, né?

Não marque pessoas em convites e panfletos. Isso cansa os amigos!

Não mande mensagens de divulgação a toda a hora. Vai virar lixo sem nem ser aberta! Seja criativo na divulgação.

Cuidado com o que você posta em seu Facebook sobre os outros. 
Pode ser considerado preconceito em suas mais variadas formas, como o bullying digital, a homofobia, ou o racismo. 
Lembre-se de uma coisinha simples chamada print screen que transforma qualquer coisa em prova!
Já existem processos julgados por crimes/danos praticados em mídias sociais.

Conto com vocês para aumentar as dicas de malandragem no Facebook!

PONTO DE (RE)PARTIDA

Você já sentiu vontade de voltar a algum ponto da sua vida, como se fosse possível apertar a tecla REWIND e pausar naquele momento específico de sua trajetória onde tudo que você fizesse a partir dali faria toda a diferença hoje?
Pois é. 
Tenho tido nos últimos dias um impulso quase frenético de voltar a alguns momentos da minha vida, como se fosse possível resgatar o meu presente através de um futuro já avistado e até vivido.
As pausas da tecla poderiam ser em partes diferentes do meu longa metragem pessoal.
Momentos há em que eu queria mesmo voltar ao momento do meu nascimento e começar tudo de novo, mesmo sem me lembrar do que eu teria que repetir ou não. 
Zerar mesmo.
Passados os instantes de radicalismo puro, repasso o que vivi até agora e brinco masoquistamente de  selecionar as pausas em que eu voltaria para fazer diferente.
Adolescência. 
Momento estudante.
Focos nebulosos. 
Hormônios traidores. Impulsos dominantes.
Quem sabe voltar àquele ponto de partida?
Acreditar mais na determinação e disciplina e menos no poder da improvisação apaixonada.
Acreditar menos nas escolhas românticas e mais nas pragmáticas.
Ser menos quente (em tantos sentidos quantos você puder pensar) e mais fria.
Acreditar menos nas decisões emocionadas e mais no caminho lógico.
Seria o momento da virada. 
A tecla REWIND, depois de pausada, daria lugar à PLAY, e quem sabe, no mundo encantado da Bia, teria lá os seus momentos de FASTFORWARD também!

Nossa! 
Mais cuidado com a pele, menos junkie, mais esporte, menos risco...quanta coisa eu mudaria nesse filme!
Eu, cineasta, adaptando minha própria biografia!

Passado o momento sonho, momento lamento, vem a sensação de dúvida e divisão, de quero-esse-sem-me-desfazer-daquele ou mesmo de quero-tudo-na-verdade.

E logo me vejo, pausada no meu passado, apertando a tecla FASTFORWARD pro futuro que é hoje.
Me vejo de lá de trás, pausando no futuro (que é esse exato instante) e vendo a mesma pessoa (eu), as mesmas inquietações, os mesmo arrependimentos, só que, agora, querendo voltar (pro passado pausado) pra, quem sabe, ter e conquistar o meu mundo real, o que vivi e vivo agora.

Vida complexa, né? 

Sentimento repartido.

E assim seguimos apertando nossa única tecla possível - o PLAY.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Não preciso mais de papel, caneta ou lápis. Não preciso de caderno nem guardanapo pra anotar minhas impressões do mundo ou de mim mesma.

Minhas impressões agora são digitais.

CAIXA PRETA

Todos nós, humanos que somos, temos nossa caixa preta.

 Aquela pequena caixa indecifrável de desejos proibidos, mentiras necessárias, individualidades preservadas, inconscientes traiçoeiros e pequenas e grandes coisas que nos envergonham de pensar quando nos olhamos no espelho.

E lá vamos nós rumo à vida,  planando com nossos segredos, nossos tesões reprimidos, nossas parcelas do desconhecido, nossas verdades e nossas mentiras.

Nossa caixa preta é algo como o ponto G das mulheres.  Muitos(as)  não o reconhecem, não os localizam, mas ele está lá.


Você já reconheceu a sua caixa preta em você?