Você já sentiu vontade de voltar a algum ponto da sua vida, como se fosse possível apertar a tecla REWIND e pausar naquele momento específico de sua trajetória onde tudo que você fizesse a partir dali faria toda a diferença hoje?
Pois é.
Tenho tido nos últimos dias um impulso quase frenético de voltar a alguns momentos da minha vida, como se fosse possível resgatar o meu presente através de um futuro já avistado e até vivido.
As pausas da tecla poderiam ser em partes diferentes do meu longa metragem pessoal.
Momentos há em que eu queria mesmo voltar ao momento do meu nascimento e começar tudo de novo, mesmo sem me lembrar do que eu teria que repetir ou não.
Zerar mesmo.
Passados os instantes de radicalismo puro, repasso o que vivi até agora e brinco masoquistamente de selecionar as pausas em que eu voltaria para fazer diferente.
Adolescência.
Momento estudante.
Focos nebulosos.
Hormônios traidores. Impulsos dominantes.
Quem sabe voltar àquele ponto de partida?
Acreditar mais na determinação e disciplina e menos no poder da improvisação apaixonada.
Acreditar menos nas escolhas românticas e mais nas pragmáticas.
Ser menos quente (em tantos sentidos quantos você puder pensar) e mais fria.
Acreditar menos nas decisões emocionadas e mais no caminho lógico.
Seria o momento da virada.
A tecla REWIND, depois de pausada, daria lugar à PLAY, e quem sabe, no mundo encantado da Bia, teria lá os seus momentos de FASTFORWARD também!
Nossa!
Mais cuidado com a pele, menos junkie, mais esporte, menos risco...quanta coisa eu mudaria nesse filme!
Eu, cineasta, adaptando minha própria biografia!
Passado o momento sonho, momento lamento, vem a sensação de dúvida e divisão, de quero-esse-sem-me-desfazer-daquele ou mesmo de quero-tudo-na-verdade.
E logo me vejo, pausada no meu passado, apertando a tecla FASTFORWARD pro futuro que é hoje.
Me vejo de lá de trás, pausando no futuro (que é esse exato instante) e vendo a mesma pessoa (eu), as mesmas inquietações, os mesmo arrependimentos, só que, agora, querendo voltar (pro passado pausado) pra, quem sabe, ter e conquistar o meu mundo real, o que vivi e vivo agora.
Vida complexa, né?
Sentimento repartido.
Ah, que grande possibilidade teríamos, só não poderíamos deixar para fazer isso em idade avançada para não correr o risco de ir longe demais e nem saber mais apertar a tecla fastfoward para voltar. Sobretudo não saber mudar mais nada porque a vida vivida virou segunda pele.
ResponderExcluirEu não quereria voltar atrás, muito menos apertar a tecla fastfoward. Negativo, deixo a tecla play apertada e vou contornando situações. Afinal, foi o que sempre fiz na vida...